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Meu Cachorro Pode Ter Leishmaniose? Sintomas, Prevenção e Cuidados

A leishmaniose canina é uma doença séria transmitida por mosquitos e que pode afetar qualquer cão. Saiba reconhecer os sinais, como proteger seu pet e o que fazer se suspeitar da doença.

7 min de leitura · Atualizado em 08/09/2026 · por Rafael Marques

Meu Cachorro Pode Ter Leishmaniose? Sintomas, Prevenção e Cuidados

O Que É a Leishmaniose Canina?

📝 Nota do editor: A Leishmaniose é uma doença que pode atingir nossos pets, sabe o veterinário que aconselha a tomar um vermifugo ou comprimido antes de ir para a praia com seu animal de estimação? Sim, é principalmente por este motivo.

A leishmaniose canina é uma doença infecciosa causada por um parasita chamado Leishmania, transmitido principalmente pela picada de um inseto conhecido como flebotomíneo — popularmente chamado de "mosquito-palha", "birigui" ou "cangalha". Embora seja mais comum em regiões de clima quente e úmido, a doença já está presente em praticamente todos os estados brasileiros, o que significa que praticamente nenhum tutor pode baixar a guarda.

Além de ser um sério problema de saúde para os cães, a leishmaniose canina também é considerada uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida para humanos — o que torna a prevenção ainda mais importante para toda a família. Se você tem dúvidas sobre se o seu cachorro pode ter leishmaniose, continue lendo: vamos explicar tudo de forma clara e acessível.

⚠️ Importante: Este artigo tem caráter informativo. Qualquer suspeita de leishmaniose deve ser avaliada imediatamente por um médico-veterinário. Não tente diagnosticar ou medicar seu pet por conta própria.


Como a Leishmaniose É Transmitida?

A principal forma de transmissão para os cães ocorre pela picada da fêmea do flebotomíneo infectada pelo parasita Leishmania. Esses insetos são pequenos, de voo silencioso e costumam ser mais ativos durante o crepúsculo e à noite, especialmente em épocas mais quentes e úmidas.

Alguns pontos importantes sobre a transmissão:

  • Não é transmitida diretamente de cão para cão ou de cão para humano pelo contato físico comum.
  • A transmissão ocorre exclusivamente pela picada do vetor (o mosquito infectado).
  • Cães que vivem em áreas rurais, periurbanas ou regiões endêmicas têm maior risco de exposição.
  • Ambientes com mato, terra úmida e matéria orgânica em decomposição são habitats favoráveis para o mosquito-palha.

Sintomas da Leishmaniose Canina

Um dos grandes desafios da leishmaniose canina é que ela pode demorar meses ou até anos para manifestar sintomas visíveis após a infecção. Quando os sinais aparecem, costumam ser variados e podem se confundir com outras doenças — o que reforça a necessidade de exames veterinários periódicos.

Sinais Clínicos Mais Comuns

Fique atento se o seu cachorro apresentar um ou mais dos seguintes sinais:

  • Emagrecimento progressivo mesmo com apetite mantido
  • Crescimento exagerado das unhas (onicogrifose)
  • Queda de pelos e descamação da pele, especialmente ao redor dos olhos, orelhas e focinho
  • Feridas e úlceras que não cicatrizam, principalmente na ponta das orelhas e focinho
  • Olhos avermelhados ou com secreção (conjuntivite)
  • Aumento do volume do abdômen por crescimento do baço e do fígado
  • Fraqueza, letargia e intolerância ao exercício
  • Hemorragias nasais (epistaxe)
  • Insuficiência renal, que pode aparecer em estágios mais avançados

Leishmaniose Assintomática: O Perigo Invisível

Muitos cães infectados não apresentam nenhum sintoma por longos períodos. Esses animais são chamados de assintomáticos e, mesmo sem sinais visíveis, continuam sendo fonte do parasita para o mosquito vetor. Por isso, o diagnóstico por exames laboratoriais é fundamental, especialmente em áreas endêmicas ou após viagens para regiões de risco.


Como É Feito o Diagnóstico?

O diagnóstico da leishmaniose canina só pode ser confirmado por um médico-veterinário, por meio de exames específicos. Os mais utilizados são:

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  • Sorologia (ELISA e RIFI): detectam anticorpos contra o parasita no sangue
  • PCR (reação em cadeia da polimerase): identifica o material genético do parasita com alta sensibilidade
  • Exame parasitológico direto: visualização do parasita em amostras de pele, medula óssea ou linfonodos

Nenhum desses exames deve ser interpretado sem orientação veterinária, pois os resultados precisam ser analisados em conjunto com os sinais clínicos do animal.


Prevenção da Leishmaniose Canina: O Que Você Pode Fazer

A boa notícia é que existem medidas eficazes para reduzir o risco de infecção. A prevenção da leishmaniose canina deve ser multifatorial, ou seja, combinar diferentes estratégias ao mesmo tempo.

1. Vacina Contra Leishmaniose

O Brasil dispõe de vacinas registradas para leishmaniose canina, e essa é uma das ferramentas mais importantes na prevenção. A vacinação não elimina 100% o risco, mas reduz significativamente a chance de o cão desenvolver a forma clínica da doença. Converse com o seu veterinário sobre o esquema vacinal mais adequado para o seu pet.

2. Coleiras Repelentes

As coleiras impregnadas com inseticidas (como deltametrina) criam uma barreira química que repele e mata os flebotomíneos antes que eles consigam picar o cão. São uma opção prática, especialmente para cães que vivem em áreas de risco ou passam muito tempo ao ar livre. A troca deve seguir as orientações do fabricante e do veterinário.

3. Pipetas e Spot-ons Repelentes

Produtos tópicos aplicados na pele do cão também oferecem proteção contra o mosquito-palha. Pergunte ao veterinário quais são os mais indicados para o porte e o perfil do seu cão.

4. Telas e Barreiras Físicas

Instalar telas de malha fina (tipo "tela antiinseto") nas janelas, portas e canis é uma medida eficiente para impedir a entrada do mosquito no ambiente doméstico, já que esses insetos são muito pequenos.

5. Manejo Ambiental

  • Evite acúmulo de matéria orgânica (folhas, frutas caídas, entulho) no quintal
  • Mantenha a grama aparada e o jardim organizado
  • Não deixe o cão solto em áreas de mata ou campo sem proteção, especialmente ao entardecer e à noite
  • Use repelentes ambientais e iluminação adequada ao redor da casa

6. Exames Periódicos

Mesmo que o cão não apresente sintomas, realizar exames sorológicos anuais é fundamental em regiões endêmicas. O diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico do animal.


Tratamento: O Que Esperar?

O tratamento da leishmaniose canina é longo, caro e não elimina completamente o parasita do organismo — ele controla a doença e melhora a qualidade de vida do animal. Em 2016, o Ministério da Agricultura liberou um medicamento específico para cães no Brasil, o que representou um grande avanço.

O protocolo de tratamento é definido exclusivamente pelo veterinário, levando em conta o estágio da doença, o peso, a condição clínica e os exames laboratoriais do animal. Automedicação é perigosa e pode agravar o quadro.

Cães em tratamento precisam de:

  • Acompanhamento veterinário regular com exames de retorno
  • Dieta adequada, especialmente se houver comprometimento renal
  • Monitoramento constante da evolução clínica
  • Atenção redobrada às medidas de prevenção do vetor, para evitar reinfecção e transmissão

Leishmaniose Canina e Saúde Pública

Como mencionado, a leishmaniose é uma zoonose: humanos também podem ser infectados pela picada do mesmo mosquito. As pessoas com maior risco são as que têm contato frequente com áreas endêmicas, crianças, idosos e indivíduos imunossuprimidos.

Por isso, cuidar da saúde do seu cão é também cuidar da saúde de toda a família. A prevenção integrada — protegendo o pet e o ambiente — é a melhor estratégia para todos.


Convivendo com um Cão com Leishmaniose

Receber o diagnóstico de leishmaniose pode ser assustador, mas muitos cães tratados adequadamente vivem com boa qualidade de vida por anos. O segredo está no acompanhamento veterinário constante, no rigor com a medicação e nas medidas de controle do vetor.

Se você tem um cão diagnosticado com leishmaniose, algumas orientações práticas podem ajudar no dia a dia:

  • Não abandone o animalo abandono é ilegal e aumenta o problema de saúde pública
  • Mantenha a rotina de consultas e nunca interrompa o tratamento sem orientação
  • Invista em alimentação de qualidade para fortalecer o sistema imunológico
  • Ofereça conforto, carinho e ambiente tranquilo — o estresse pode piorar o quadro clínico
  • Informe outros tutores da região sobre a doença e a importância da prevenção

Quando Correr para o Veterinário?

Não espere os sintomas ficarem graves. Leve seu cão ao veterinário imediatamente se perceber:

  • Emagrecimento sem causa aparente
  • Feridas que não cicatrizam
  • Queda intensa de pelos com descamação
  • Crescimento exagerado das unhas
  • Olhos com secreção ou avermelhados
  • Sangramento nasal
  • Qualquer mudança brusca de comportamento ou disposição

O diagnóstico precoce é, sem dúvida, o fator que mais influencia positivamente o prognóstico da leishmaniose canina.


⚕️ Importante: Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico-veterinário. Consulte sempre um profissional antes de mudar a alimentação ou tratamento do seu pet.

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Perguntas frequentes

Leishmaniose canina tem cura?

A leishmaniose canina não tem cura completa — o tratamento controla a doença, reduz os sintomas e melhora a qualidade de vida do animal, mas o parasita pode permanecer no organismo. Por isso, o acompanhamento veterinário contínuo é essencial. Muitos cães tratados corretamente vivem bem por muitos anos.

Posso pegar leishmaniose do meu cachorro?

Não diretamente. A leishmaniose não é transmitida pelo contato com o cão, mas sim pela picada do mosquito-palha infectado. No entanto, se o cão está infectado, ele pode servir como fonte do parasita para o mosquito, que por sua vez pode transmitir a doença para humanos. Manter o cão protegido e o ambiente controlado reduz o risco para toda a família.

Qual é a vacina para leishmaniose canina e onde encontro?

Existem vacinas registradas no Brasil para leishmaniose canina. Elas são aplicadas pelo veterinário em clínicas e hospitais veterinários, seguindo um esquema de doses específico. Consulte um veterinário para saber se a vacinação é indicada para o seu cão e qual o protocolo mais adequado.

Meu cachorro pode ter leishmaniose mesmo sem apresentar sintomas?

Sim! Muitos cães infectados são assintomáticos, ou seja, não mostram nenhum sinal da doença por meses ou anos. Por isso, em regiões endêmicas ou após viagens a áreas de risco, é fundamental realizar exames sorológicos periódicos mesmo que o cão pareça completamente saudável.

O que fazer se meu cão for diagnosticado com leishmaniose?

Mantenha a calma e siga rigorosamente as orientações do veterinário. O tratamento é longo, mas eficaz para controlar a doença. Não abandone o animal — isso é crime e agrava o problema de saúde pública. Invista em cuidados com alimentação, ambiente e prevenção do mosquito vetor para proteger o cão e sua família.